Segunda, 06 Março 2017 15:35

Quaresma, tempo de recomeçar!

Papa Francisco envia sua mensagem para a quaresma 2017 aos católicos do mundo inteiro.

A quaresma é tempo de voltar para casa e reconhecer-se pecador. Período favorável a conversão e ao arrependimento. Não que Deus precise que a pessoa sinta-se diminuída pelo pecado, mas porque é preciso perceber quão pequeno é o homem e que a vida é passageira nesse mundo. De fato a quaresma prepara para a vida, permite olhar para o horizonte e aguardar a festa da páscoa que se aproxima. Numa analogia é possível contemplar o que é a existência nesta terra em relação ao céu que virá. É preciso ser vigilante e acolher a palavra que salva, receber o alimento que dá forças e limpar-se de toda e qualquer impureza que nos separe de Deus.

Como de costume o Papa Francisco lançou a mensagem pra a quaresma 2017. O Santo Padre reforça os meios propostos pela Igreja para intensificarmos a vida espiritual, são eles: o jejum, a oração e a esmola. Porém, na base de todas essas atitudes está a Palavra de Deus. Em 2017 a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31) é apresentada como alicerce nas meditações quaresmais.

A Sagrada Escritura apresenta estes dois personagens, mas só o pobre tem nome, Lázaro, e é descrito de forma detalhada, o que o faz próximo, reconhecido e muito querido. Mesmo que este esteja tão perto do rico esperando para comer as migalhas que caem de sua mesa, para o rico ele é invisível. Diz o Papa que “Lázaro ensina-nos que o outro é um dom”. A existência do pobre na porta do rico é um convite a converter-se e mudar de vida. Sua Santidade destaca que “a quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo.”

É curioso o porquê do rico não notar a presença do pobre. Ele estava tão cheio de si por conta de seu status e de seus bens que a cegueira da soberba o dominou e fez do outro inexistente. “O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico.” (cf. Exost. AP. Evangelii gaudium, 55). Assim o fruto da ganância é uma espécie de cegueira que não permite enxergar os que precisam e estão prostrados na humilhação. É preciso transformar o dinheiro em instrumento para se fazer o bem e exercer a solidariedade e não uma lógica egoísta que separa e dificulta a paz.

 

Na parábola tudo muda quando os dois morrem, e no além o pobre é exaltado e recebe suas consolações e o rico se encontra no meio dos tormentos. Neste momento o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse seus sofrimentos. Algo semelhante ao que ele podia e não fez durante toda a sua vida. A mensagem termina apresentando o verdadeiro problema do rico: “a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus.” Por isso ele deixou de amar a Deus e, consequentemente, desprezou o próximo. Que os católicos saibam neste tempo da quaresma abrir suas portas ao frágil e ao pobre.

 

Texto na íntegra em: MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2017

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Quaresma – 40 dias para chegar à santa festa da Páscoa.

Todos os anos a Mãe Igreja dispõe deste período de preparação com caminhos focados na realidade dos homens para acontecer a passagem, vida nova da Ressurreição. O dom da fé recebido no batismo é um treinamento que vai acontecendo ao longo de toda a vida.

Caminhar com Deus, com a comunidade dos homens e atingir a salvação a plenitude da graça são as escolhas a serem feitas neste tempo. A riqueza das páginas dos Evangelhos são as fontes onde nos abastecemos para a conversão.

Cuidar da obra divina deste mundo, a casa comum para todos foi a vivência do Ano de 2016 com a misericórdia. Neste ano de 2017 é com Maria, cuidar e guardar a criação. São estas criaturas todas, juntas ao ser humano que embelezam e dão sentido ao existir.

Guardar, celebrar e motivar um convívio agradável, solidário, respeitoso e no serviço ao outro. A comunidade é convidada, cada um em particular, a rever a ordem que gera todos os bens, são eles e elas diferentes, mas existem dentro do mesmo Universo.

Uma conversão madura e opcional que leva a oração, ao jejum, a caridade e a fraternidade. Ser com eles e elas. Uma fé esclarecida e iluminada que vem para ajudar na preservação e admiração. Nosso Bioma tem 2 características bem definidas: uma de seca e uma de chuvas. O bioma, diversidade na sua composição é o mais antigo, o Cerrado. Abrange 13 estados. Vivem 22 milhões de pessoas. Estamos em um ambiente sagrado, “a caixa d’água do Brasil”, em seu subsolo. São três os principais aqüíferos: Urucuia, Bambui e o Guarani. Estamos no DF sob a área recarga dos mananciais existentes, distribuidores de vida no setor água. Que nesta quaresma  possamos a cada dia lembrar como fazer para servir este grande dom para todos.

 

Santa Quaresma – Padre Geraldo Ascari. 

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Estamos vivendo um dos retiros mais fortes e exigentes da nossa fé. Os exercícios da quaresma, do jejum, da oração e da esmola. A participação em todos os momentos do dia com um esforço e uma opção de vida digna de filhos que querem responder ao grande amor de Deus Pai. Ao corrigir nossos vícios e nosso egoísmo percebemos a celebração festiva que nos espera.

Entrar em nosso interior para avaliar nossa participação de colaborar e contribuir com o nosso planeta, a casa de todos os humanos e as criaturas. Queremos fazer parte, integrando o nosso ser com o dos nossos semelhantes para retribuir com bens dignos para todos. Com a força da oração e a palavra do evangelho, nos dispomos a favorecer um ambiente de crescimento para a vida e a sua abundancia. Jesus nos diz: Eu vim para que todos tenham vida e a vida plena.

Renovemos nosso espírito de unidade e de comunhão com a trindade que em sua santidade se abre para levar aos homens e as mulheres de boa vontade o seu Reino. 

A plenitude desta graça nós vamos experimentar com a Semana Santa. São dias privilegiados de graça e repletos de caminhos para nos purificar, doar e entregar nossa vida aos desígnios de Deus Pai. A celebração do tríduo pascal nos desafia a abandonar nosso individualismo, consumismo e indiferenças, porque são modelos já vividos durante os dias do ano. Deixar essas atitudes e comportamentos. Participar na santa liturgia. Ela nos educa a deixar a matéria e nos unir mos ao espírito a exemplo de Jesus Cristo. “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus.”

Santa Páscoa, Santa Semana festiva do Senhor Ressuscitado.

 

Pe. Geraldo Ascari

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Sexta, 05 Fevereiro 2016 15:43

Campanha da Fraternidade 2016

Com o objetivo principal de chamar a atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde e qualidade de vida para todos, a CNBB escolheu como tema para a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. (Amós 5,24)

O objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

O Papa Francisco nos diz em sua carta Laudato Si – Louvado seja que “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum”.

O Papa lança um convite urgente para renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e tem impacto sobre todos nós. Precisamos de nova solidariedade universal, são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiências, iniciativas, realidades e capacidades.

A CF fortalece a convivência, o diálogo e o trabalho conjunto em favor do bem comum como testemunhos importantes, afinal, Jesus sempre se colocou à escuta. Por isso, essa CF deve nos motivar a irmos ao encontro de todas as pessoas para juntos encontrarmos ações que favoreçam o cuidado com a nossa Casa Comum.

 

Romilda Dutra da Mota Cabral

 

SSVP

 

Vídeo com a apresentação da Campanha da Fraternidade 2016: 

https://www.youtube.com/watch?v=whXbJC3ogqs

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Sexta, 05 Fevereiro 2016 15:37

Mensagem do Papa para a Quaresma 2016

 

«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis

[Franciscus]
 

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Segunda, 09 Março 2015 21:00

A Quaresma já Chegou

Iniciamos com a quarta-feira de cinzas os nossos exercícios espirituais em preparação a grande festa: a ressurreição.

Para nós batizados, a Páscoa só tem um objetivo: a ressurreição. A preparação através da oração, jejum e da caridade nos ensina a dominar nossos impulsos carnais e materiais, dedicando maior tempo a espiritualidade. Todos somos chamados a viver saboreando as riquezas que Deus nos ofereceu em seu Filho amado.

Durante este tempo, Kairós de graças, nos abstemos das conversas, das palavras vazias e inúteis, para o encontro de palavras que saem da boca de Deus. Nos sinais, nos acontecimentos, nos encontros pessoais e comunitários, nas celebrações todos os espaços vão nos indicando a conversão. “Convertei-vos e crede no Evangelho”. É o projeto de Jesus para construir o Reino de Deus, o Paraíso perdido pelo pecado da desobediência.

Voltai-vos para o Senhor, endireitai os caminhos para o Senhor. São os chamados para a sensibilidade, a simplicidade, abertura, empatia, aproximação ao outro, para servir. O servo é amigo de Jesus, escuta o mestre o convidando para estar e ficar com Ele, Deus e homem salvador.

Dentro deste Espírito condutor divino, vamos receber Dom Sérgio e Dom Marcony, para nos ajudar a servir em nome de nossa missão. Sejam Bem-vindos, estamos nos preparando para esta obra de graça.
No dia 15 de março acolhemos também a Infância Missionária e junto Dom Valdir Mamede.

Sintam-se em casa, acolhemos igualmente a todos com nossa fraternal saudação. Na missionária Santa Teresinha rezamos por todos.
Pe. Geraldo Ascari.
 
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Domingo, 22 Fevereiro 2015 21:00

Quarta-feira de Cinzas

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A Oração da Via-Sacra será realizada em toda sexta-feira após a missa das 19h durante a Quaresma. Começa hoje a

"Ao ver-te descido da cruz, repousar no colo piedoso de tua querida mãe, sinto que todos os discursos são insuficientes e uma única palavra já é demais. Existem momentos em que o silêncio e a contemplação falam muito mais. Ensina-me a descrucificar os meus irmãos. Que o meu testemunho seja um silencioso grito de amor e de solidariedade."
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Quarta, 18 Fevereiro 2015 22:00

Quaresma 2015

Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.

 

Francisco

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/papa-francesco_20141004_messaggio-quaresima2015.html
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