Terça, 06 Março 2018 15:57

EXERCÍCIOS DE PIEDADE QUARESMAL

Por: Pe. Valdemar Alves Pereira SdC

O Jejum, a esmola e a oração são práticas de mortificações que sempre estiveram presentes na vida de Jesus e na sua Igreja. Estamos vivendo esse tempo da quaresma como um retiro em preparação para a grande festa do Cristianismo, a Páscoa da Ressurreição. 

Nada melhor nesse tempo de retirada, nos afastarmos das coisas do mundo e deixarmos contagiar com a graça e a bênção de Deus. Sair do mundo significa abster-se de coisas que apetitavam muito ou aguçava o prazer; fazendo isso, estou Jejuando. Retirar-se, se supõe que queremos estar sintonizados com Deus o tempo inteiro, a ferramenta para isso se chama oração. 

Durante o retiro, tempo de graça, me encho das dádivas de Deus. Somadas essas riquezas espirituais à aquelas materiais, fruto da economia feita com o nosso jejum podemos dar de esmola aos pobres. Percebemos que são práticas indispensáveis na vida do Cristão e porque não dizer, do ser humano. Elas estão interligadas, uma depende da outra, falhando numa falho em todas.

Seja discreto na vivência dos exercícios de piedade, lembre-se que o jejum não é para me entristecer, a esmola não é para mostrar que sou bonzinho, e oração não deve me tornar um fariseu, mas devem ser meios que me levem a um encontro comigo mesmo, e com Deus. Portanto, servem para nossa alegria interior, e para nos unir aos irmãos e a Deus.  

Falando mais especificamente do Jejum o Profeta Isaías diz que: “ele deve ser em primeiro lugar abstenção do pecado, em segundo lugar, deve me tornar mais disponível para Deus” (Is 58,6). 

Já São João Crisóstomo, ao recomendar o Jejum, diz que o dinheiro economizado com a abstinência daquilo que eu mais gosto, ou que me dá prazer, deve ser doado aos pobres, e se eu não o fizer estou privando-os de um direito deles. Assim, o Jejum tem por alvo o Coração, mais do que o estômago. Nossa fome e nossa abstinência, devem nos tornar solidários de pessoas que, ‘jejuam’ todos os dias forçados pela situação de miséria em que vivem. 

Que as práticas quaresmais agucem a fome e a sede de justiça, de amor e de paz, e leve-nos a evitar todo o tipo de interesse egoísta. Quem viver esse tempo assim, descobre que não só está jejuando, mas amando de verdade. 

 

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Terça, 06 Fevereiro 2018 11:17

Como viver bem a Quaresma?

Por: Henrique Cavalheiro

Para os católicos se aproxima o período mais profundo do ano litúrgico. A festa da Páscoa é tão forte que requer uma preparação profunda dos fiéis, por meio de práticas e orações que levem a alma a um estado de graça e recolhimento. Desde os anos de catequese aprende-se o sentido e o significado da Quaresma. Porém, é bom sempre refrescar a mente sobre quais atitudes podem facilitar uma boa vivência deste momento de recomeço e conversão. Para tal, a PasCom destaca alguns pontos que podem ajudar os membros da comunidade de Santa Teresinha a vivenciarem estes 40 dias de forma autêntica e eficaz, afinal, esta é mais uma oportunidade de reconciliação com Deus e de reavivamente espiritual:

1 - Intimidade com Deus: Intensificar os momentos de oração, de silêncio, adoração e contemplação, tanto comunitárias tanto individuais. Abrir o coração para ouvir o que o Senhor quer falar. Fazer uma leitura orante da Sagrada Escritura. Participar da oração da Via-Sacra nas casas e igrejas. 

2 – Caridade: Repensar quem é o outro. Procurar na face do irmão o rosto do próprio Cristo. Amar sem medidas e sem esperar nada em troca. Exercitar um olhar misericordioso nas diversas necessidades do próximo. Não dar porquê e o que sobra, mas porque o outro também precisa. 

3 – Jejum ou abstinência: O que em nada pode parecer e lembrar um regime alimentar, mas sim uma prática que induza a carne a se render aos apelos da alma e assim se conectar de forma profunda na espiritualidade do interior, onde Deus habita. A mortificação fortalece o espírito, mas não é o fim e sim um meio para um aprimoramento no crescimento espiritual. 

4 – Perdão: Buscar o perdão daqueles que magoou, perdoar os que te caluniaram ou ofenderam, esquecer as raivas e indiferenças. Quaresma é recomeço e vida nova em Cristo, que a todos perdoou na cruz. 

5 –Sacramentos: Participar das missas, momento mais sublime da fé católica, e buscar a confissão de forma sincera e coração contrito. 

Assim pode-se aprender muito e colher diversos frutos deste período quaresmal. Uma Santa e abençoada quaresma para todas as pastorais, movimentos, grupos e a cada um que participa desta comunidade. 

 

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Segunda, 06 Março 2017 15:35

Quaresma, tempo de recomeçar!

Papa Francisco envia sua mensagem para a quaresma 2017 aos católicos do mundo inteiro.

A quaresma é tempo de voltar para casa e reconhecer-se pecador. Período favorável a conversão e ao arrependimento. Não que Deus precise que a pessoa sinta-se diminuída pelo pecado, mas porque é preciso perceber quão pequeno é o homem e que a vida é passageira nesse mundo. De fato a quaresma prepara para a vida, permite olhar para o horizonte e aguardar a festa da páscoa que se aproxima. Numa analogia é possível contemplar o que é a existência nesta terra em relação ao céu que virá. É preciso ser vigilante e acolher a palavra que salva, receber o alimento que dá forças e limpar-se de toda e qualquer impureza que nos separe de Deus.

Como de costume o Papa Francisco lançou a mensagem pra a quaresma 2017. O Santo Padre reforça os meios propostos pela Igreja para intensificarmos a vida espiritual, são eles: o jejum, a oração e a esmola. Porém, na base de todas essas atitudes está a Palavra de Deus. Em 2017 a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31) é apresentada como alicerce nas meditações quaresmais.

A Sagrada Escritura apresenta estes dois personagens, mas só o pobre tem nome, Lázaro, e é descrito de forma detalhada, o que o faz próximo, reconhecido e muito querido. Mesmo que este esteja tão perto do rico esperando para comer as migalhas que caem de sua mesa, para o rico ele é invisível. Diz o Papa que “Lázaro ensina-nos que o outro é um dom”. A existência do pobre na porta do rico é um convite a converter-se e mudar de vida. Sua Santidade destaca que “a quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo.”

É curioso o porquê do rico não notar a presença do pobre. Ele estava tão cheio de si por conta de seu status e de seus bens que a cegueira da soberba o dominou e fez do outro inexistente. “O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico.” (cf. Exost. AP. Evangelii gaudium, 55). Assim o fruto da ganância é uma espécie de cegueira que não permite enxergar os que precisam e estão prostrados na humilhação. É preciso transformar o dinheiro em instrumento para se fazer o bem e exercer a solidariedade e não uma lógica egoísta que separa e dificulta a paz.

 

Na parábola tudo muda quando os dois morrem, e no além o pobre é exaltado e recebe suas consolações e o rico se encontra no meio dos tormentos. Neste momento o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse seus sofrimentos. Algo semelhante ao que ele podia e não fez durante toda a sua vida. A mensagem termina apresentando o verdadeiro problema do rico: “a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus.” Por isso ele deixou de amar a Deus e, consequentemente, desprezou o próximo. Que os católicos saibam neste tempo da quaresma abrir suas portas ao frágil e ao pobre.

 

Texto na íntegra em: MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2017

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Quaresma – 40 dias para chegar à santa festa da Páscoa.

Todos os anos a Mãe Igreja dispõe deste período de preparação com caminhos focados na realidade dos homens para acontecer a passagem, vida nova da Ressurreição. O dom da fé recebido no batismo é um treinamento que vai acontecendo ao longo de toda a vida.

Caminhar com Deus, com a comunidade dos homens e atingir a salvação a plenitude da graça são as escolhas a serem feitas neste tempo. A riqueza das páginas dos Evangelhos são as fontes onde nos abastecemos para a conversão.

Cuidar da obra divina deste mundo, a casa comum para todos foi a vivência do Ano de 2016 com a misericórdia. Neste ano de 2017 é com Maria, cuidar e guardar a criação. São estas criaturas todas, juntas ao ser humano que embelezam e dão sentido ao existir.

Guardar, celebrar e motivar um convívio agradável, solidário, respeitoso e no serviço ao outro. A comunidade é convidada, cada um em particular, a rever a ordem que gera todos os bens, são eles e elas diferentes, mas existem dentro do mesmo Universo.

Uma conversão madura e opcional que leva a oração, ao jejum, a caridade e a fraternidade. Ser com eles e elas. Uma fé esclarecida e iluminada que vem para ajudar na preservação e admiração. Nosso Bioma tem 2 características bem definidas: uma de seca e uma de chuvas. O bioma, diversidade na sua composição é o mais antigo, o Cerrado. Abrange 13 estados. Vivem 22 milhões de pessoas. Estamos em um ambiente sagrado, “a caixa d’água do Brasil”, em seu subsolo. São três os principais aqüíferos: Urucuia, Bambui e o Guarani. Estamos no DF sob a área recarga dos mananciais existentes, distribuidores de vida no setor água. Que nesta quaresma  possamos a cada dia lembrar como fazer para servir este grande dom para todos.

 

Santa Quaresma – Padre Geraldo Ascari. 

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Estamos vivendo um dos retiros mais fortes e exigentes da nossa fé. Os exercícios da quaresma, do jejum, da oração e da esmola. A participação em todos os momentos do dia com um esforço e uma opção de vida digna de filhos que querem responder ao grande amor de Deus Pai. Ao corrigir nossos vícios e nosso egoísmo percebemos a celebração festiva que nos espera.

Entrar em nosso interior para avaliar nossa participação de colaborar e contribuir com o nosso planeta, a casa de todos os humanos e as criaturas. Queremos fazer parte, integrando o nosso ser com o dos nossos semelhantes para retribuir com bens dignos para todos. Com a força da oração e a palavra do evangelho, nos dispomos a favorecer um ambiente de crescimento para a vida e a sua abundancia. Jesus nos diz: Eu vim para que todos tenham vida e a vida plena.

Renovemos nosso espírito de unidade e de comunhão com a trindade que em sua santidade se abre para levar aos homens e as mulheres de boa vontade o seu Reino. 

A plenitude desta graça nós vamos experimentar com a Semana Santa. São dias privilegiados de graça e repletos de caminhos para nos purificar, doar e entregar nossa vida aos desígnios de Deus Pai. A celebração do tríduo pascal nos desafia a abandonar nosso individualismo, consumismo e indiferenças, porque são modelos já vividos durante os dias do ano. Deixar essas atitudes e comportamentos. Participar na santa liturgia. Ela nos educa a deixar a matéria e nos unir mos ao espírito a exemplo de Jesus Cristo. “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem da boca de Deus.”

Santa Páscoa, Santa Semana festiva do Senhor Ressuscitado.

 

Pe. Geraldo Ascari

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Sexta, 05 Fevereiro 2016 15:43

Campanha da Fraternidade 2016

Com o objetivo principal de chamar a atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde e qualidade de vida para todos, a CNBB escolheu como tema para a Campanha da Fraternidade (CF) deste ano “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. (Amós 5,24)

O objetivo geral “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

O Papa Francisco nos diz em sua carta Laudato Si – Louvado seja que “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum”.

O Papa lança um convite urgente para renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e tem impacto sobre todos nós. Precisamos de nova solidariedade universal, são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiências, iniciativas, realidades e capacidades.

A CF fortalece a convivência, o diálogo e o trabalho conjunto em favor do bem comum como testemunhos importantes, afinal, Jesus sempre se colocou à escuta. Por isso, essa CF deve nos motivar a irmos ao encontro de todas as pessoas para juntos encontrarmos ações que favoreçam o cuidado com a nossa Casa Comum.

 

Romilda Dutra da Mota Cabral

 

SSVP

 

Vídeo com a apresentação da Campanha da Fraternidade 2016: 

https://www.youtube.com/watch?v=whXbJC3ogqs

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Sexta, 05 Fevereiro 2016 15:37

Mensagem do Papa para a Quaresma 2016

 

«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada

Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.

Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.

2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia

O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.

Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.

Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.

3. As obras de misericórdia

A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.

Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.

Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.

Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).

Vaticano, 4 de Outubro de 2015

Festa de S. Francisco de Assis

[Franciscus]
 

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Segunda, 09 Março 2015 21:00

A Quaresma já Chegou

Iniciamos com a quarta-feira de cinzas os nossos exercícios espirituais em preparação a grande festa: a ressurreição.

Para nós batizados, a Páscoa só tem um objetivo: a ressurreição. A preparação através da oração, jejum e da caridade nos ensina a dominar nossos impulsos carnais e materiais, dedicando maior tempo a espiritualidade. Todos somos chamados a viver saboreando as riquezas que Deus nos ofereceu em seu Filho amado.

Durante este tempo, Kairós de graças, nos abstemos das conversas, das palavras vazias e inúteis, para o encontro de palavras que saem da boca de Deus. Nos sinais, nos acontecimentos, nos encontros pessoais e comunitários, nas celebrações todos os espaços vão nos indicando a conversão. “Convertei-vos e crede no Evangelho”. É o projeto de Jesus para construir o Reino de Deus, o Paraíso perdido pelo pecado da desobediência.

Voltai-vos para o Senhor, endireitai os caminhos para o Senhor. São os chamados para a sensibilidade, a simplicidade, abertura, empatia, aproximação ao outro, para servir. O servo é amigo de Jesus, escuta o mestre o convidando para estar e ficar com Ele, Deus e homem salvador.

Dentro deste Espírito condutor divino, vamos receber Dom Sérgio e Dom Marcony, para nos ajudar a servir em nome de nossa missão. Sejam Bem-vindos, estamos nos preparando para esta obra de graça.
No dia 15 de março acolhemos também a Infância Missionária e junto Dom Valdir Mamede.

Sintam-se em casa, acolhemos igualmente a todos com nossa fraternal saudação. Na missionária Santa Teresinha rezamos por todos.
Pe. Geraldo Ascari.
 
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Domingo, 22 Fevereiro 2015 21:00

Quarta-feira de Cinzas

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A Oração da Via-Sacra será realizada em toda sexta-feira após a missa das 19h durante a Quaresma. Começa hoje a

"Ao ver-te descido da cruz, repousar no colo piedoso de tua querida mãe, sinto que todos os discursos são insuficientes e uma única palavra já é demais. Existem momentos em que o silêncio e a contemplação falam muito mais. Ensina-me a descrucificar os meus irmãos. Que o meu testemunho seja um silencioso grito de amor e de solidariedade."
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